
Existem mil razões para ser feliz.
E a felicidade nunca vem sozinha, traz sempre consigo um saco de presentes, é divina e comove com sua humanidade.
Paz, amor, saúde são a base de seu banquete. E todas as receitas de felicidade estão certas: tem aquelas que levam dinheiro, tempo para namorar e dançar, outras pedem paciência em seu caldeirão, assim como paz própria e a do mundo… Felicidade também pede sexo em algumas receitas, assim como beijo e sorvete de chocolate. Felicidade não tem garantias e é uma obrigação de todos nós buscá-la sempre, mesmo sabendo dos riscos de se machucar pelo caminho.
Todos nós precisamos de algo que nos incomode, que nos desafie todos os dias, que nos retire dos nossos comportamentos individualistas. Quando um encontro acontece, vejo o outro sempre como a “pedra no caminho”, como nos versos do Drummond. É ela quem nos alerta, nos ajuda a reinventar a vida todos os dias.
No entanto, idealizar que o parceiro é a fonte da felicidade tem dois lados ruins: 1) Quando se está só, a pessoa desvaloriza as outras muitas conquistas da vida, que são muito importantes também, e que passam desapercebidas. 2) E quando consegue alguém e o relacionamento atinge o ideal de felicidade, está fadado a perder, já que nenhum relacionamento é ideal eternamente, por mais que haja um querer.
Não, o próximo passo nesse texto não é o de dizer como realizar o sonho de ser feliz em qualquer âmbito, ainda mais com relação ao amor. Como já disse acima, cada um tem sua própria receita. E acredito que a felicidade independe da maturidade, já que essa mesma maturidade pode ser uma das coisas mais chatas que essa nossa civilidade nos impõe.
Felicidade é poder manter algo de quando tínhamos 5 anos de idade e não sermos taxados de infantis e debilóides, é a força bruta do desejo, que dá impulso para que tudo o mais se realize.
Felicidade não é artigo de consumo, não há como transformá-la em remédio. Quando se gosta de alguém, a tendência é ficar mais vulnerável. Amar é suportar ser ridículo (como todas as cartas de amor!). A paixão pode ser chamada de felicidade, mas quando se transforma em um ideal de vida, fica supervalorizada e representa um perigo.
Fica bonita no cinema, na literatura, mas é muito triste, pra não dizer trágico, na vida real. Daí personagens como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Aberlardo e Heloísa, Guinever e Lancelot… Morreram porque tentaram eternizar a paixão. Quando os envolvidos querem manter essa paixão intocável, quando não suportam a mudança ou algum tipo de interferência, acabam selando compromissos de morte, até a de si mesmo! Transformar o amor em remédio, por exemplo, é algo muito perigoso.
Uma relação amorosa tem dois lados: o afetivo e o sensual. O afetivo é cuidado, segurança, companheirismo e por isso, repetição. Já o sensual é o inventivo, uso sexual recíproco e ainda tem um outro lado enigmático.
Há sempre uma diferença radical entre dois parceiros: amor é o nome que se dá à ponte que recobre TEMPORARIAMENTE essa distância entre eles. Mas a diferença sempre irá se manifestar, é inevitável. Felicidade é tênue, um encontro provisório, não é standar, nunca é física.
É, não há estrada certa para a felicidade, nem todos esses caminhos são tão simples de seguir, ela dá trabalho de ser conquistada, mas saber que existe e de seus possíveis caminhos, que estão em nós mesmo, é mais do que reconfortante.
E ser feliz sem razão alguma é o máximo, o supra sumo…