Gordura abdominal estimula obesidade, diz estudo

O excesso de gordura na barriga pode estimular a fome e induzir à obesidade, sugere um estudo realizado no Canadá.

Segundo a nova pesquisa, publicada na revista científica da Federation of American Societies of Experimental Biology, a camada de gordura do abdômen produz um hormônio conhecido como neuropeptídeo Y (NPY), que estimula o apetite e é produzido também pelo cérebro.

A ação deste hormônio, por sua vez, estimularia a reprodução das células adiposas, o que acelera a obesidade.

“Esse processo pode se transformar em um ciclo vicioso em que o NPY produzido pelo cérebro faz você comer mais e acumular mais gordura na barriga”, diz Yaiping Yang, que liderou o estudo.

“Essa camada gordurosa produz então mais hormônios NPY, o que leva a um aumento no número de células gordurosas.”

Obesidade

Estudos anteriores já indicavam que a produção excessiva do hormônio neuropeptídeo Y é um dos principais fatores que leva os obesos a comer mais.

A obesidade, independente do local em que a gordura é acumulada, faz mal à saúde. No entanto, a gordura abdominal é considerada mais perigosa porque aumenta o risco de doenças cardíacas, diabete tipo 2, pressão alta e alguns tipos de câncer.

Segundo Yang, o próximo passo da pesquisa será identificar se o NPY produzido pelo abdômen também é liberado no sistema circulatório, o que poderia afetar as mensagens que o cérebro envia sobre a sensação de fome.

Caso o hormônio possa ser encontrado na corrente sangüínea, o pesquisador afirma que será possível desenvolver um exame simples de sangue para detectar qualquer aumento no nível de NYP.

“Se conseguirmos detectar o NPY cedo e identificar pacientes com risco de obesidade abdominal, podemos fazer um tratamento para impedir a ação do hormônio”, afirma Yang.

“Seria muito mais fácil usar medicamentos para prevenir a obesidade do que tratar doenças causadas por ela”, conclui.

De acordo com o diretor do Fórum Nacional para Obesidade da Grã-Bretanha, David Haslam, o estudo oferece mais informações sobre os mecanismos complexos que regulam o processo de armazenamento e processamento de gordura.

“Essa é uma das descobertas que, em um futuro próximo, pode levar a um modo de manipular o ciclo vicioso deste hormônio”, afirma Haslam. “Não é ficção científica pensar que é possível encontrar um modo de bloquear sua ação.”

 

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